O que é Lúpus Eritematoso Sistêmico
O lúpus é uma doença crônica, auto-imune, que causa inflamações em várias partes do corpo, especialmente na pele, juntas, sangue e rins. Normalmente, O sistema imunológico produz proteínas chamadas anticorpos para proteger o corpo de viroses, bactérias e outros corpos estranhos. Estes corpos estranhos são chamados antígenos. Em uma desordem imunológica como o lúpus, o sistema defensivo perde sua habilidade de diferenciar entre substâncias de corpos estranhos(antígenos) e de suas próprias células e tecidos. O sistema imunológico passa então a direcionar anticorpos contra si mesmo. Estes anticorpos, chamados auto-anticorpos, reagem com antígenos próprios para formar complexos imunológicos. Esses complexos crescem nos tecidos e podem causar inflamação, danos aos tecidos e dor.
Há mais casos de pessoas com lúpus do que com paralisia cerebral, esclerose múltipla, anemia hemolítica e fibrose cística juntas. Pesquisas da Lupus Foundation of America (LFA) mostram que foram registrados entre 1.400.000 e 2.000.000 casos de pessoas com lúpus (estudo conduzido por Bruskin/Goldring Research, 1994).
Para muitas pessoas, o lúpus é uma doença simples que afeta apenas alguns órgãos, para outros, pode causar sérios problemas para a vida toda. Milhares de americanos morrem todos os anos de complicações relacionadas ao lúpus.
Tipos de lúpus
Existem três tipos de lúpus: discóide, sistêmico, e induzido por drogas. O lúpus discóide sempre se limita à pele. É identificado por inflamações cutâneas que aparecem na face, nuca e couro cabeludo. Esse tipo de lúpus é diagnosticado através de uma biópsia do tecido atingido pela inflamação. Nesse caso, a biópsia vai mostrar anormalidades que não são encontradas na pele normal (sem inflamações). Geralmente esse tipo de lúpus não atinge órgãos internos do corpo. Nesse caso, o teste ANA, um teste sangüíneo usado para detectar lúpus sistêmico, pode dar negativo. Entretanto, esse teste é positivo em um grande número de pacientes, apesar de apresentar um nível bem baixo.
Em aproximadamente 10% das pessoas com lúpus, o lúpus discóide pode evoluir para a forma sistêmica da doença, que pode afetar quase todos os órgãos ou sistemas do corpo. Isto não pode ser previsto ou prevenido, ou seja, o tratamento do lúpus discóide não vai evitar sua progressão para a forma sistêmica. Indivíduos que avançaram para a forma sistêmica, provavelmente já a tinham desde o início, tendo a inflamção discóide como principal sintoma.
O Lúpus sistêmico é geralmente mais grave do que o lúpus discóide e, como já foi dito, pode afetar quase todos os órgãos e sistemas do corpo. Em algumas pessoas, apenas a pele e as juntas serão afetadas. Em outras, as juntas, pulmões, rins, sangue e outros órgãos e/ou tecidos podem ser afetados.
Geralmente, duas pessoas com lúpus sistêmico não vão apresentar sintomas idênticos. Ele pode incluir períodos onde poucos, se algum, sintomas são evidentes (remissão) e outros quando a doença se torna mais ativa (crise). Na maioria dos casos, as pessoas se referem ao lúpus na sua forma sistêmica.
O lúpus induzido por drogas ocorre após o uso de certas drogas prescritas (medicamentos). Os sintomas são similares aos da forma sistêmica. As drogas mais comumente relacionadas com lúpus são hidralazine (usada para tratar pressão alta ou hipertensão) e procainamide (usada para tratar ritmos irregulares do coração). Entretanto, nem todas as pessoas que tomam essas drogas vão desenvolver manifestações desse tipo de lúpus, apenas 4%. Desse número, apenas uma quantidade bem pequena vai desenvolver esse tipo de lúpus por completo. Os sintomas normalmente desaparecem quando a medicação é suspensa.
As causas do lúpus
As causas do lúpus não são totalmente conhecidas, mas sabe-se que fatores ambientais e genéticos estão envolvidos. Enquanto os cientistas acreditam haver uma predisposição genética para a doença, é sabido que fatores ambientais também têm importante papel para o despertar do lúpus. Alguns dos fatores ambientais que podem despertar a doença são: infecções, antibióticos (principalmente aqueles dos grupos da sulfa e penicilina), raios ultravioletas, estresse excessivo e algumas drogas.
Embora o lúpus seja conhecido por ocorrer dentro de famílias, não há um gene ou genes identificados como responsáveis pela doença. Apenas 10% dos pacientes vão ter um parente próximo (pai ou irmão) que já tenha ou venha a desenvolver a doença. As estatísticas mostram que apenas 5% de filhos de pacientes vão desenvolver o lúpus.
O lúpus é freqüentemente chamado de uma "doença de mulher" apesar do fato de muitos homens também serem afetados. Ele pode ocorrer em qualquer idade, em ambos os sexos, embora seja de 10 a 15 vezes mais freqüente entre mulheres adultas do que entre homens adultos. Os sintomas são os mesmos em homens e mulheres. Acredita-se que mulheres de origem africana, indígena e asiática desenvolvem a doença com mais freqüência do que mulheres brancas, mas os estudos que demonstram essa tese ainda são poucos e precisam de maior discussão. Fatores hormonais podem explicar porque o lúpus ocorre com mais freqüência em mulheres; o aumento dos sintomas antes do período menstrual e durante a gravidez dão suporte à idéia de que os hormônios, particularmente o estrogênio, também podem estar relacionados à doença. Entretanto, a razão exata, a nível hormonal, da grande prevalência de casos em mulheres e do aumento cíclico dos sintomas ainda é desconhecida.
0 comentários:
Postar um comentário